
sábado, 26 de março de 2011
Para Bárbara Batista
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Memória

O que aconteceu comigo?
isso nem eu sei...
Minhas memórias mais claras
são as que eu mesmo
inventei.
Não faço idéia
de quantas mentiras
andei contando:
suspeito que sempre que minto,
eu mesmo acabo acreditando.
Lembranças...
Tanta coisa distante
que dentro de mim
ainda vive,
e não tenho certeza
se externamente aconteceram
...Ou talvez fora um sonho que tive.
Hélio Augusto Galvão
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Saudade como Presença

Para o Pako-Poeta
I
O tempo rasteja...
em pensamento, nós conversamos,
e sinto, em pensamento,
teu hálito de cerveja.
Me fale qualquer coisa!
Não pense, simplesmente
diga.
Hoje, até uma ofensa
seria agradável
vindo de uma voz amiga.
II
Ah... Quante saudade
na distância;
E nesta estrada
quanta curva.
Dentro de casa
ando de-um-lado-a-outro;
e fora,
só vento forte
e barulho de chuva.
Quando estiveres por essas bandas
vem em casa
me fazer uma visita,
podemos escutar música
enquanto você me conta
qualquer história esquisita.
No inverno
o céu é mais bonito,
muda-se os cheiros,
muda-se a cor.
e nós iremos ao Santa Júlia*
ficar calados
até a hora em que o Sol se pôr.
Hélio Augusto Galvão
*Santa Júlia: Campo de Futebol, n'uma colina. Primavera-Pará
Amor Fati

Vazio mesmo
é ser feliz eternamente,
vencer todas as brigas
e não mais
ficar doente.
Cansei de ir só por aqui:
É hora de me perder.
Afaste-se do meu caminho!
è agora
que eu vou me foder.
Acredite,
você não vai querer
me seguir.
estar só pode ser triste,
mas tristeza só incomoda
quem não sabe sentir.
Hélio Augusto Galvão
terça-feira, 4 de maio de 2010
O Idioma do Corpo

(escrito em 2008. com pequenas modificações)
Queria te descrever em belos versos,
arrancados das profundezas do coração,
separar teu corpo em sílabas,
deter-me em cada interrogação;
conhecer cada acento,
cada sinal
e decifrar todos os códigos
do teu idioma corporal.
Hélio Augusto Galvão
Imagem: Alexandre Cabanel, The Birth of Venus (o Nascimento de Vênus)1863. Paris, Museu de Orsay.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Fumar

Acendo um cigarro
Sento-me
E fico fumando,
E na fumaça de meu cigarro
Vejo as imagens de minha infância
Uma-a-uma
Passando.
A tosse asmática
Que acompanha cada trago
E me espreme o peito
Ainda há de reduzir
Meus pulmões
A duas massas pretas
De catarro desfeito.
Quer esteja meu espírito
Bom ou ruim
Alegre ou agonizando,
Trago
A
Trago
Só sinto a suprema calma
De estar fumando.
E neste ritual contínuo de tragar
Meu corpo sensível
Fica, em Prazeres, imerso.
E mesmo sabendo que, um dia, morrerei,
Olho pra minha morte...
E faço um verso.
Hélio Augusto Galvão
Do Equilíbrio
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