segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fumar


Acendo um cigarro
Sento-me
E fico fumando,
E na fumaça de meu cigarro
Vejo as imagens de minha infância
Uma-a-uma
Passando.
A tosse asmática
Que acompanha cada trago
E me espreme o peito
Ainda há de reduzir
Meus pulmões
A duas massas pretas
De catarro desfeito.
Quer esteja meu espírito
Bom ou ruim
Alegre ou agonizando,
Trago
A
Trago
Só sinto a suprema calma
De estar fumando.
E neste ritual contínuo de tragar
Meu corpo sensível
Fica, em Prazeres, imerso.
E mesmo sabendo que, um dia, morrerei,
Olho pra minha morte...
E faço um verso.




Hélio Augusto Galvão

3 comentários:

  1. Hélio Augusto Galvão
    Olá, aqui estou para lhe dar os cumprimentos ao novo Blog, e a sua boa Poesia.
    Efigênia Coutinho
    In New York

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  2. Gostei, Helinho, muito bonito esse poema.

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  3. "PUTA QUE O PARIU MEU IRMÃO!"

    Foda demais, parece com o modo com que eu escrevo, e remete a Charles Baudelaire, com um pouco menos de simbolismo, mas visceral idem!

    Se quiser, dá uma conferida no primeiro poema que eu postei no meu blog, um abraço, e parabéns!

    (Não gosto de cigarros, e não fumo) ;)

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